Um dia em uma palestra, Shakuntali tocou em um tema muito importante: “Para onde vai o amor quando ele desaparece?” – Ela escreveu com giz em uma tábua.

O público ficou muito interessado e aguardava por suas explicações, já que todos tiveram os mesmos problemas.

— Todos vocês já ouviram sobre o amor eterno – começou Shakuntali com sua voz encantadora – mas nós encontramos poucos exemplos desse sentimento. Vamos falar sobre isso, para esclarecer e compreender como você pode atingir esse amor. Ou será que é impossível? A natureza colocou dentro do ser humano o instinto da reprodução, o que é muitas vezes confundido com amor. A manifestação mais primitiva disso é a luxúria. O ser humano acumula energia no centro sexual, e ele quer fazer sexo. E mesmo que as pessoas não tenham sido feitas uma para a outra, elas podem ter relação sexual. Este homem só quer descarregar a energia, e a mulher pensa da forma que a sociedade doente a ensinou –  “Eu o amarei com o tempo”, “Não é necessário que o marido seja muito bonito”, “Chegou a hora”, “É a hora de ter filhos”, e assim por diante. E, no final, nada dá certo.

Algumas mulheres começaram a chorar, ouvindo isso e lembrando-se  de suas tristes experiências.

— Mas o centro sexual é um instrumento muito mais delicado, e não se destina apenas para a reprodução: na época da puberdade, dentro dos seres humanos, desperta-se a criatividade, desejo de conhecimento, e até mesmo um êxtase religioso. Como o levantamento da Kundalini e administração de energia sutil não estão incluídos no tema desta palestra, vamos nos focar nas manifestações desse centro, tais como paixão ou amor – com estes grandes sentimentos, o centro sexual sinaliza que o ser humano encontrou o parceiro certo, pois ele pode entender melhor o tipo de pessoa que realmente combinará conosco. No entanto, isso só pode acontecer com povos primitivos, privados de mentiras, ou pessoas que se conhecem bem. Pois o ser humano possui uma máscara falsa, e pode ser enganado por ela. Ele possui uma imagem idealizada, que conta como deveria ser o seu par, por exemplo, ele deve ser solteiro, não ser seu parente, pertencer à mesma casta, comportar-se de uma certa maneira. Muitas vezes, o desejo de conhecer uma celebridade, ou também o sentimento de inveja da sua amiga, fazem a mulher experimentar uma falsa paixão. Mas quando o casal se conhece melhor, a paixão desaparece, pois era falsa. Às vezes, um homem para ter uma determinada mulher, imita uma paixão: dá buquês de flores, lê poemas das outras pessoas, tentando enganá-la e depois usá-la à vontade. Mas caso ela peça um presente caro dele, ele imediatamente começa a mentir que a empresa acabou de falir, ou que ele deseja um relacionamento simples sem gastos materiais, escondendo por trás disso a sua alma mesquinha.

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Alisa lembrou que Artur, um pobre estudante gastou todas as suas economias para lhe comprar uma joia, e olhou para ele com muito orgulho feminino, entendendo que ela não se enganara em relação a ele. Shakuntali dissera a verdade, que nós mesmos devemos procurar nosso parceiro. A sua intuição não a enganou dessa vez, mas antigamente quando ela estava esperando alguém se aproximar dela, ela se decepcionava todas as vezes. Ela se esforçava para aguentar aquele que se aproximasse primeiro, pensando que não estava entendendo algo e que o amor iria aparecer mais tarde.

— Acontece que a mulher também engana o homem, usando muita maquiagem e se cuidando no início do relacionamento e, pensando que já conquistou o seu coração, ela relaxa e não se maquia mais, usa roupa simples; mas os homens amam com os olhos. E isso destrói o relacionamento.

Alisa olhou em um espelho de bolso e pensou em sempre se cuidar para que Artur goste dela.

— Paixão e amor são muito importantes, eles renovam o corpo, a pessoa fica mais jovem, ela começa a criar, a desenvolver suas habilidades, o contato com Deus. Por isso, é necessário tentar ficar naquele estado, não ficar parada, mesmo se não tiver um parceiro, procurar seu ideal e permanecer em um estado divino. Não precisa fazer da sua vida uma vida conjugal comum. Mas é proibido entrar em depressão, sentir ciúmes ou sofrer por causa dos padrões de vida (“ser como os outros”). A vida deve ter um pouquinho de religião, ser espiritual, e ela não pode ser direcionada ao egoismo e possessividade, mas sim para o seu ideal.

A paixão também é um campo de energia, que é gerado entre polos. Se se remover a distância entre as pessoas, o campo será imediatamente descarregado. E se a distância entre eles permanecer, o desejo entre homem e mulher aumentará. Homens das cavernas viviam assim: eles tinham a parte masculina e a parte feminina em casa, até os pobres tinham isso. E eles procuravam não entrar em contato um com o outro a cada minuto, preservavam a distância – isso ajudava a manter a paixão. Mesmo as meninas e meninos estudavam e viviam separados, pois o contato diário e constante tornava a relação comum, e o fogo se apagava. Não é à toa que há um ditado: “Os bons amigos se encontram com menos frequência.” Para preservar a alegria do encontro, as pessoas devem se preparar para ele, se encher de impressões positivas, para que este encontro seja uma verdadeira festa.

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Alisa pensou: “Artur viaja frequentemente, ele é empresário. É necessário que eu me mantenha ocupada vivenciando novas experiências, para que eu tenha algo para compartilhar com ele quando estivermos juntos. Vou ajudar mais na escola para a criação do “Campo de Amor,” para ter algo para contar para Artur quando a gente se encontrar.

— No entanto, seja qual for a paixão, ela também tem o seu prazo. E é também devido à fisiologia da reprodução. No caso do homem, o prazo pode passar rapidamente, porque sua tarefa natural é fertilizar o maior número de fêmeas. Para a mulher, o prazo é mais longo, mas ele também tem um limite, porque ela precisa do homem durante a gestação e amamentação do bebê. Mas depois de alguns anos, isso passa, e as pessoas ficam juntas por causa dos padrões sociais, como eles dizem, “é necessário preservar a família, viver juntos para o bem das crianças”, “já estamos em idade avançada, já é tarde para mudar alguma coisa”, e outras coisas. Mas isso tudo significa que entre eles não cresceu o verdadeiro amor, o qual existe no centro emocional, e não depende do sexo. Mesmo as pessoas de idade podem sentir simpatia e carinho profundo uns com os outros. Este é o amor eterno, pois ele é armazenado além da vida, e depois passa para a próxima encarnação. Claro que as pessoas muitas vezes não encontram imediatamente um ao outro na encarnação seguinte; isso pode acontecer já na fase adulta, mas entre eles, logo nasce um sentimento antigo. Este sentimento é um verdadeiro presente. Ele nasce apenas em pessoas com um grande coração, em pessoas boas, simpáticas e alegres. No egoísta obsoleto e seco, cheio de negatividade, é pouco provável que surja este sentimento. E também as pessoas devem pensar da mesma forma, para que eles tenham um amor assim.

Alisa olhou para Artur e pensou: «Que bom que nós nos conhecemos na palestra de Shakuntali, e nós olhamos para o mundo da mesma forma. E agora, quando nós estamos nos desenvolvendo juntos, o nosso amor fica mais e mais forte».

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– Geralmente, quando as pessoas começam a viver juntas, o centro emocional realiza o papel decisivo, e o casal começa a interagir com ele. Há um ditado que diz: “Eles não se dão bem” – explicou Shakuntali. – Se o casal tem brigas constantes, gritos, ciúmes, então seus centros emocionais não são parecidos, então é melhor se separar para não se torturar. Não há necessidade de transformar sua vida em um inferno, privando-se da oportunidade de encontrar o verdadeiro amor. Mas, é preciso lembrar que o amor não é sujeito aos padrões da sociedade, que podem mudar ao longo do tempo e variam em diferentes nações. Por exemplo, no Oriente Médio existe poligamia, e um homem pode amar algumas de suas mulheres da mesma maneira. O homem pode ter uma vida sexual muito ativa e propensa a relações aleatórias, mas isso não significa que ele não consegue amar. Às vezes, ele leva à sério apenas o relacionamento com uma mulher, e com as outras ele apenas passa o tempo, e é melhor não fazer um escândalo por causa disso e tentar remodelá-lo por causa dos padrões da sociedade. Você pode simplesmente aceitar a sua natureza, se ele te satisfaz em todos os sentidos e sempre demonstra seu amor por você. Ocasionalmente, a mesma coisa acontece com as mulheres. Portanto, devemos lembrar que o verdadeiro amor não está relacionado ao sexo; ele é uma prerrogativa do centro emocional. E os escândalos, confrontos, o desejo de ter tudo conforme o padrão – isso apenas destrói o amor. Bem como a substituição do amor pelo padrão, quando não existem os sentimentos, mas o casal vive tranquilo conforme o padrão social. Isso é a chamada tranquilidade morta, que não proporciona nenhuma felicidade verdadeira para o casal.

Alisa pensou, olhando para Artur, se ela conseguiria aceitar suas outras mulheres? Em algum momento, no fundo do coração, veio a resposta: “Sim”, porque ela sentiu que ele era seu parceiro ideal, e ela não desejaria se separar dele. No entanto, outra parte dela, infectada pelo padrão da sociedade, começou a protestar – como pode ser isso? Neste caso, é preciso gritar histericamente, como isso acontecia com seus pais e também nos filmes, ou tentar de alguma forma refazer a cabeça do Artur ou separar-se dele. Só de pensar nisso ela se sentiu mal e as lágrimas escorreram pelo seu rosto.

— O que houve, meu amor? – perguntou Artur.

— Está tudo bem, apenas foi um pensamento ruim – disse Alisa e parou de chorar. E neste momento, ela entendeu que este padrão foi projetado para paralisar a vida das pessoas, torturá-las, mesmo quando nada acontece. 90% de todo o sofrimento surge a partir dessas imagens do que poderia ser, se de repente… e assim por diante. Você precisa jogar fora este padrão de vida venenoso, e não se deixar dominar por sua imaginação doentia, que foi criada pelo diabo, para se alimentar com a energia do sofrimento das pessoas. E, ao mesmo tempo, ela sentiu-se fortemente apegada a este modelo, e que não seria fácil se livrar dele e viver feliz e livre, aceitando a sua vida como Deus a criou. Na existência desse padrão está acumulado todo o mal, todo o sofrimento humano, quando as pessoas se torturam para serem iguais aos padrões que foram divulgados, e que vigorosamente empurram seus filhos, entes queridos, parentes e amigos para esse leito de Procusto, os fazendo sofrer também. Só o diabo poderia ter inventado esta maneira tão inteligente de sofrimento, quando uma pessoa tenta se machucar para cumprir todas as regras de uma sociedade e paralisa os outros, seus próprios parentes, pensando que está fazendo uma coisa boa: enrolando um bebê em um lençol quando ele quer fazer movimentos; dando muita comida a ele, tirando assim a sua saúde; colocando para dormir quando ele não quer; privando dos passeios ao ar livre, do amor e da comunicação com seus amigos por causa do colégio; fazendo ele sofrer e tirar aquela nota alta na aula, em vez de aproveitar a vida e fazer algo para o qual ele tenha vocação, um talento dado por Deus. E a criança já cresce toda machucada fisicamente e emocionalmente, vivendo uma vida artifical, sofrendo e não conseguindo entender, de onde vem este sofrimento, por que a vida é tão difícil – porque ela é uma escrava, que não vive a sua vida, dada por Deus, mas sim a vida que foi imposta pelo marasmo da nossa sociedade doente. E enquanto ela não se libertar desta loucura, da orientação em relação aos padrões e estereótipos, ela nunca será feliz. E ser livre sem um desenvolvimento espiritual é impossível.

Depois da palestra, quando Artur e Alisa sairam da sala, Alisa disse para Artur:

— Eu entendi porque meu pai se tornou alcoólatra, e a minha mãe sempre está com depressão e toma neurolépticos. A matriz social os arruinou. Afinal, meu pai queria ser um pintor, e minha mãe, uma bailarina; mas fizeram a cabeça deles, de que isso tudo não é sério, e era necessário trabalhar em uma fábrica. Um dia eles se conheceram em uma festa, beberam, seguiram um desejo físico, minha mãe engravidou, e mesmo ela gostando muito de outro, e meu pai, de outra, disseram para eles que era necessário se casarem, já que eles iriam ter um filho. Assim, até agora eles vivem juntos, duas pessoas infelizes, afundando suas tristezas em vodka e um monte de comprimidos.

— Sim – disse Artur – eu também queria me embriagar, quando me preparava para os testes, porque era muito difícil, e eu não quis fazer aquilo, pois eu vi a inutilidade disso tudo. Eu tive vontade de entrar na faculdade bêbado e falar tudo na cara do reitor, mas eu sabia que não iria resolver o problema

— Sim, alcoolismo, dependência química e paranóia – isso tudo é a reação das pessoas que sentem que elas são meras escravas, e elas estão procurando uma maneira de sair dessa escravidão, mas não naquele lugar onde ela realmente acontece.

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Categorias: Amor

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